(ANTES DE CONTINUAR SAIBA QUE HÁ ALGUNS SPOILERS)

Quando se fala em jogos de survival horror os campeões de popularidade são Silent Hill e Resident Evil. Não é para menos, já que cada um possui uma temática própria envolta de mitologias criadas a partir de conceitos pós-modernos. Mesmo que um parta do pressupostos relacionados a mentes perturbadas e o outro dê ênfase a ação, temos que concordar que ambos querem transmitir a mesma mensagem, sinta medo. E o medo pode ser visto de diversas formas, do desconhecido, da morte, do beco escuro, de nós mesmos. E é esse mesmo sentimento que nos mantém noites acordados jogando nossos jogos preferidos de terror, porque o medo inofensivo, sem riscos, vindos dos jogos eletrônicos é divertido. Então, qual é o seu tipo de medo? Se respondeu que é medo de si mesmo somado a perturbações psicológicas, Silent Hill é a sua série. Então, vamos ver como ficou o quinto capítulo da série principal, Silent Hill: Homecoming.
Esse episódio vai contra muitos preceitos criados no início de Silent Hill. Homecoming é um jogo baseado em combates contra os monstros e humanos (sim, humanos) coisas impensáveis nos outros games da série. Primeiro, Silent Hill sempre foi um jogo que pregava o medo através de sua estrutura, envolvendo o jogador com seus ambientes claustrofóbicos e trilhas sonoras macabras, deixando o combate em segundo plano. Lutar contra monstros com partes humanas ou até mesmo de formas humanóides era aceitável, mas lutar contra seres humanos mesmo, aí só no Homecoming mesmo. Muitas pessoas reclamaram do fato de Silent Hill estar caminhando para um lado diferente e que está se perdendo desde o SH4:The Room. Independente de estar ou não, o que cabe a esse texto é analisar o jogo em si. Pelo menos o game conta com diversos finais como é de praxe.
O Pesadelo retorna a S… Shepherd’s Glen

Homecoming começa como todo bom Silent Hill, ou seja, com o protagonista dentro do seu próprio pesadelo. No caso, Alex Shepherd, o ex-soldado está sobre uma maca de um lugar muito estranho, onde muitas pessoas estão sendo mortas. Na tentativa de correr de lá, ele percebe que um monstro estranho também povoa o lugar… Alguém conhece o Cabeça de Pirâmide?
Alex Shepherd chega à sua cidade de carona com um personagem conhecido dos fãs da série: Travis, protagonista de Silent Hill Origins, lançado em 2008 para PSP e PS2. Ao chegar na cidade, o pesadelo de Alex começa a tomar forma, seu irmão havia sumido e ninguém sabia aonde ele estava. Ele busca informações com sua amiga Elle (quase um par romântico) e descobre que muitas pessoas haviam sumido também além de seu irmão. Assim começa a história de Alex, que tenta de todas as formas procurar seu querido irmão caçula pelas ruas tortuosas de Shepherd’s Glen e Silent Hill, duas cidades ligadas por tristes acidentes.
A meta de Alex é encontrar seu irmão. Durante a sua viagem ele encontra pessoas desequilibradas psicologicamente, porém as personagens desse capítulo estão muito aquém das dos episódios anteriores. A evolução delas é pífia comparada aos três primeiros games da série. Harry, James e Heather… ou melhor, Dhália Gilespie conseguiu ser uma boa vilã em SH1 sem ter muitas falas, o que não foi possível em SH:H. A vilã foi tão sem sal quanto todos os personagens, dando a ela o único crédito de ter participado de uma das melhores cenas do jogo “a da furadeira”.
A mesma equipe que fez SHO melhorou o sistema de batalha de SHH. Agora, não adianta falar de luta sem falar dos monstros, não é mesmo?
Lutando contra o Bizarro

Silent Hill é um jogo que sabe tratar bem seus demônios. Os monstros de SH são obras de arte bizarras, grotescas, nojentas até. São monstros disformes, abstratos, diferentes dos monstros padrões que se vê em outros jogos ou filmes. Os inimigos em Silent Hill sempre foram tratados pela equipe artística com muito primor e não é diferente nesse capítulo. O grande destaque ficou para as enfermeiras que estão extremamente gostosas, só faltou um dos animaniacs gritar “Olááááá´, enfermeira”. Além delas temos o Cabeça de Pirâmide que está inda mais assustador, entretanto pouco aparece durante o game inteiro, o que faz de suas visitas ainda mais perturbadoras.
O sistema de combate foi uma melhoração do SHO. Está certo que Alex é um ex soldado, mas como já disse anteriormente, SH não é um jogo de combate. As lutas são divertidas, mas fogem do conceito da obra. Alex pode esquivar dos golpes e ainda revidar com combos. Uma das coisas interessantes nas lutas e que são aspectos positivos são as marcas nos corpos dos monstros. A cada golpe que se dá, o monstro exibe uma ferida em tempo real como se realmente tivesse sido atingido por um golpe.

Ao Andar pelas ruas e casas da cidade, deve-se ter em mente que tudo pode ser derrubado. Calma, é que o game usa a física ao seu favor. Ao encostar-se em uma cadeira, por exemplo, o protagonista a derruba. E caso ele esteja andando num corredor onde haja monstros, eles o ouvirão e correrão atrás dele para trucidá-lo.
Em alguns momentos, o jogador terá que desligar a luz de sua lanterna também para evitar que as enfermeiras o vejam. Elas que são um show à parte, pois a movimentação delas é igual a do filme. Além disso o filme trouxe algumas contribuições a série, algo que seria impossível de imaginar, principalmente vendo os filmes baseados em Resident Evil.
O Filme e o jogo

Quando o filme foi lançado muitos viraram a cara, pois as últimas adaptações de jogos para o cinema não foram muito boas, aliás, beiraram ao ridículo. Com o tempo, Silent Hill: O filme, foi tratado como um produto diferenciado. Tão diferenciado que conseguiu influenciar e fazer parte da mitologia de SH.
A belíssima forma de mudar de mundo, com as paredes se deteriorando, o chão sumindo, o sangue escorrendo, foi muito bem aproveitado em Homecoming. Só é uma pena que o roteiro não permitiu melhores situações e que esse recurso seja melhor utilizado no próximo game. Além disso, o filme agregou a história geral a questão da neblina como sendo cinzas. Cinzas que marcam Silent Hill, pois houve um grande acidente envolvendo moradores da cidade numa mina subterrânea. Até mesmo a placa da cidade foi reestilizada a partir do filme e um dos cenários finais do game também como a Igreja.
Gráficos e Trilha sonora
O jogo foi lançado para PC, PS3 e Xbox 360, mas mesmo assim não conseguiu gráficos muito bonitos para os personagens principais (humanos). Os monstros e as superfícies plásticas ficaram muito boas. Silent Hill 3 em alguns momentos se mostrava superior em gráficos do que SHH.
A trilha sonora é assinada por Akira Yamaoka, o cara que concebe as canções mais macabras e poéticas ao mesmo tempo, dos videogames. Suas idéias são sempre muito bem vindas na série e ele conseguiu ao longo dos anos aprimorar o que já era bom. Está certo que SHH não tenha a melhor trilha sonora que Yamaoka tenha feito, mas vale a pena ouvir a música tema “One more soul to the call”.
Detalhes extras
SHH tem 5 finais diferentes, o que já é de praxe na série e para aqueles que gostam de humor negro, podem ficar contentes, pois há o final UFO aqui também. O game conta com finais curtos, que são destravados dependendo de suas ações durante a história, que poderia ser muito melhor aproveitada, pois tem um bom conteúdo.
Em cada fala no jogo, você pode escolher uma opção para então mudar o rumo da prosa. Caso escola a opção X ao invés da Y, isso pode modificar o final do jogo para o bem ou para o mal. Isso depende de cada ação que fizer.
Outro detalhe legal no jogo é a referência a personagens antigos na série como Cybil Bennett de SH1 (PSone) e Douglas, o detetive de SH3 (PS2). Para quem é fã de longa data, essas referências dão um belo levante na história porque cria um laço maior com o jogador do que simplesmente jogar novos personagens na tela.
Considerações finais
SHH é um bom jogo, mas infelizmente carrega um nome que gera muita expectativa e qualquer erro pode lhe custar muito caro. Isso aconteceu com o sistema de luta que vai contra a essência da fuga que é feito SH. Em alguns momentos, Alex parece um Chris Redfield, pronto para matar quem vier na frente. Outro ponto negativo é a evolução dos personagens. Eles são muito superficiais e poderiam ter momentos bons, se os roteiristas soubessem aproveitar o excelente material que tinham em mãos. Bastava criar bons diálogos, coisa que faltou. A história foi mal contada, foi muito explicativa, quando em SH não se explica nada. Os gráficos também decepcionam um pouco.
Entretanto, o jogo é divertido de jogar, os monstros estão muito bem feitos, e sofrem realmente. A sonoplastia está agradável, mesmo que Akira Yamaoka não tenha feito seu melhor trabalho. A Música tema, pelo menos, vale a pena ser ouvida e repetida várias vezes devido a sua alta qualidade.
Enfim, SHH tinha tudo para ser um grande jogo e elevar ainda mais Silent Hill, mas desde o SH4 que a série vem perdendo força. O jogo vale muito a pena jogar, pois é SIlent Hill e mesmo que a história não seja lá das melhores, é bom para compor mais uma parte da mitologia dessa série que é tão agraciada pelos fãs do mundo inteiro.
Cronologia da série
Para você que está começando a jogar Silent Hill agora e quer entender a história de forma certa, siga a ordem cronológica abaixo:
Silent Hill: Origins – 2008 (PSP, PS2)
Silent Hill – 1999 (PSone)
Silent Hill: Shattered Memories (releitura do original) – 2009 (PS2, Wii)
Silent Hill 2 – 2001 (PS2, PC, Xbox)
Silent Hill 3 – 2003 (PS2, PC, Xbox)
Silent Hill 4:The Room – 2004 (PS2, PC, Xbox)
Silent Hill: Homecoming – 2008 (PS3, PC, Xbox 360)
O melhor: One More Soul to the call
O pior: O distanciamento da essência da série
UFO: Bem que Alex poderia encontrar Harry Mason e James Sunderland na nave.

Loading...